Onde está o amor se ele não queima? Mal sinto o calor entre os dedos, minha pele estás a gelar,
meus toques tateiam em vão na brasa, restos de um amor envelhecido, quase esquecido, enegrecido,
preciso queimar para vivê-lo, acender este pobre coração, aquecer os invernos, tempos duros e cruéis,
se há luz na escuridão, deve haver algo nas profundezas deste carvão, seco e inflamável.

Trancados, abafados, ares compartilhados, covil humano fechado, prosas, lembranças,
aquele dia, o momento inesquecível, agora, risos, sorrisos, malvadezas, malevolência,
confinados, o instinto natural grita alto, sei lá, jazz no rádio, celulares desligados,
pandemia condena o mundo, não toca aqui, onde toco, só dois e coisa alguma a fazer, quase.

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