Estou longe, onde o nada é meu,
distanciei-me de tudo, complexo apogeu,
fuga intempérie da vergonha do meu eu,
pobre alma inerte, enrubesceu.

Amor em luzes de sol,
dentro de bons dias e noites,
naquela prosa sem fim,
nas tulipas do jardim.

Você é tão linda, não refute os fatos,
nos fios pretos e lisos, o brilho da noite,
na pele branca e pintada, as luzes do dia,
o que dizer do olhar castanho que imobiliza?!

Bicho do Mato, fuga das confusões humanas, malditos ignorantes, estragos gratuitos,
quero ser inseto, enxergar do alto, assustar embaixo, amedrontar, só por existir de fato,
ou ser felino, os coitados aprisionados em caixas de concretos, ou quem sabe, os esfomeados,
vivendo da capada natureza selvagem, quando não são mortos por covardes, terrível Homo Sapiens.

Ela não é desse tempo, pertenceste a outros verões, antepassados, períodos incrustados,
desfilava-te com grandes chapéus de tecidos aveludados, pele branca beijada pelo sol, pequenas manchas de linho,
sorrisos fáceis, doces companhias, praças cheias de vida, seu hobby era ser ilha, objeto de fascínio, de conquista,
beleza cultuada por artistas em quadros impressionistas, era tudo sonho em vida, mundo colorido.

Bela morena, as flores são teimosas em lugares onde não deviam estar, solo sem nenhum verde, és nascente, cresceste,
afortunado coração, como um rio, escorreu e parou na curva do seu olhar, quem não descansaria nas sombras dessas sardas?
pés cansados sempre encontram um bom lugar, entre as folhas lisas do teu cabelo e as trilhas tortas do seu sorriso,
tão gentil e doce tu és, como fruta corada, prestes a cair, só para que do chão, as sementes floresçam.

Mergulhei no profundo oceano dos teus olhos, extenso breu, deparei-me com um belo par de pérolas negras,
banhadas por brilho, rodeadas pelas areias claras do teu rosto, estas, revestidas por camadas de pequenas sardas,
deslizo por tua face, vagarosamente, tateando pacientemente as linhas quadriculadas, ornamentadas por algas onduladas,
teus fios pretos, que tanto exacerbam a tua morenitude, majestosamente, completam e definem a tua superfície.

Não sirvo a nada, não caibo em ninguém, coração vagabundo, moribundo,
não sou o tecido justo que amacia, nem o animal perspicaz que se adapta,
pareço-me com o fogo que se alastra nas folhas secas, naturalidade destrutiva,
fervente, deixo cinzas, não há fênix no meu deserto, muita poeira, um inseto.

Os ventos uivaram, escoaram sonoramente pelas montanhas, trazendo reflexões das mais profundas entranhas,
o silêncio envergonhado, és tão barulhento, os animais ouvem os lamentos, passarinhos coloridos, lobos cinzentos,
a harmonia ao redor a denunciar seu tornado, a natureza, ansiando por lágrimas ocultas, salpicar a terra obscura,
nenhuma confissão fica muda aos sussurros invisíveis, a brisa que lhe arrepia os pelos, flutua suas palavras não ditas.

Os raios de sol beijam os pés, inundados na transparência líquida,
nossas mãos pregadas balanceiam vagarosamente, conexão da alma,
olhares perdem-se em tanta beleza, especialmente sua, tão minha,
areia dura, represa límpida, troncos tortuosos, repleta natureza.

Passarinhando, amanheço cantando, benquisto, verde colorido, empoleiro-me aqui todos os dias,
embelezo a janela, dou vida ao telhado, lhe dou prosa, lhe arranco risos, pios e voos, mil vezes por dia,
entro e saio deste recinto, alpiste, linhaça, girassóis e uma violeta, sorte deste pequeno cheio de peninhas,
saio de noitinha, não sou o cuco, parasita de ninhos, veja, sou um cortês periquito, australiano engraçadinho.

Quando serás minha? Se já és. Quando dividirás o ar? Se já o respiras sem fôlego. Quando enlouquecerás?
Se já não achas o juízo. Quando serás paixão? Se já queimas em brasa. Quando beijarás com sede essa boca?
Se todo o sal da língua já secaste. Quando serás o véu da cama? Se já te deitastes em pensamentos inquietos.
Quando olharás em meus olhos? Se já não olham a mais ninguém. Quando será minha ilha? Se já és terra, mar e fauna.

Respirar profundamente, não somente ares adentro e afora dos pulmões, refiro-me ao alívio, satisfação,
a calmaria da tormenta, sensações aromáticas ou até fluxo de raciocínio ao cérebro, pensamentos adjetos,
decisões pós respiração, sempre melhores, respirar também é refletir, unanimidade, o ar precisa de espaço,
circula nos detalhes do ser, precisa de lazer, ofegante, se prazer, calculado, se treinado.

A Mãe Natureza agoniza, piamente chora,
suas crias cada vez mais raras, padecem todos os dias,
caçados, açoitados, degolados, sofrimento inesgotável,
criou-se tudo com amor e o homem perfurou.

Um sonho, uma morena, uma ponte, um caminho, dois sorrisos, um beijo prazeroso a moda antiga,
o céu, um lençol preto com olhos brilhantes, a fitar o momento, dando charme, resplendor a cena,
dedos deslizavam nas sardas como brisa fria, braços anexando corpos, chama inevitável dos enamorados,
olhares repletos de aspiração, estarem sós, serem pares, realizações simples dos apaixonados.

Eu sou um herói, criança, tenho quaisquer super poderes, acabarei com todos os malefícios desse mundo,
começarei voando pelos céus, cortando nuvens, imponente, derrotarei criaturas armadas, sou invulnerável,
então, posso à noite, ser o morcego em becos sem saídas, não darei chance a assaltantes, nem bandidos,
veloz, flash, salvarei famílias da arma apontada para a cabeça, como fazem, policiais mal remunerados.

Enterraste o passarinho, este dançaste as asas tão bonito, piaste até as últimas batidas,
coração em agonia, pousaste onde não podias, olhaste pela janela, cantaste por tantos dias,
fatalidade, não foste pedra a atingir-te, nem fogo a queimar-te, foste somente lugar ocupado,
dentes afiados do felino a fincar penas, tudo que querias, apenas a linda Violeta.

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