A culpa é do Amor, ser desafortunado, errante, escolheste a mais linda mulher e o mais apaixonado dos homens,
para quê?! Após acertos inquestionáveis, agendaste o tempo errado, anos e décadas passastes, tudo pareces tarde,
milhares de obstáculos inventastes, ora senhor Amor, malvadezas à la carte, lá se vai a linda história feliz que criaste,
acinzentando cores, calando vozes, gelando corpos, distanciando corações, sofrendo perdas irreparáveis, tudo, alteraste.

Te notei, noite fria, um bar, meia lua, um vestido verde estonteante, entediada, um balcão, dois copos,
aquele homem não lhe merece, olhe-me, deixe-me pagar uma bebida, adivinharei a sua preferida, errarei, então me dirá,
farei rir de qualquer bobagem, prometo, explicarei que a lua não tem sentido sem um par como nós, ganharei tempo,
eu sei, não cairá em palavras fáceis, lhe desafio a me seguir, guiarei sem direção, enrolando seu juízo.

Moça bonita, aprecie minha incapacidade de decifrar as linhas, vejo-a desamarrar-se,
soltar a corda, aliviar as pedras das costas, distraindo-se com o abandono do juízo,
rindo de ninguém, sorrindo para si, dando voz a qualquer música, flertando com a vida,
sabe sofrer, nem parece aquela menina, chorosa, lágrimas de um passado, salgado.

Amá-la, tanto mais do que se pode ser, além do que se for será,
minha incansável certeza de crer, no futuro imperfeito de amar,
todos os dias a pensar, em todas as formas, dela, ao meu lado estar,
impreterivelmente, urgentemente, sua eternidade é o céu que irei pleitear.

Do lixo vieste, miúdo peludo, Batman da capa cinza, deram a mim este presente, alegria,
parece que foste ontem, viraste herói do meu lar, folgadinho, tímido só os miados, sempre baixinho,
astuto, arranjavas sempre luta com os vizinhos, os maiores sofriam, brincadeirinha, amizade fácil felina,
demoraste a conquistar o coração do irmão felino mais difícil, não o meu, este, fácil, facinho.

Bicho do Mato, fuga das confusões humanas, malditos ignorantes, estragos gratuitos,
quero ser inseto, enxergar do alto, assustar embaixo, amedrontar, só por existir de fato,
ou ser felino, os coitados aprisionados em caixas de concretos, ou quem sabe, os esfomeados,
vivendo da capada natureza selvagem, quando não são mortos por covardes, terrível Homo Sapiens.

Como pode este passarinho cantar, se tem as asas quebradas e o ninho destroçado?!
pareces até que voa mais alto, os piados parecem gritos, afinados, como vozes em uníssono,
lá vai, gravetos no bico, arquiteto das casinhas de palitos, não há trauma, apenas reinício,
a pequena ave de peninhas, debilitado e sem família, segue sobrevivendo a pedras e tiros.

Ela não é desse tempo, pertenceste a outros verões, antepassados, períodos incrustados,
desfilava-te com grandes chapéus de tecidos aveludados, pele branca beijada pelo sol, pequenas manchas de linho,
sorrisos fáceis, doces companhias, praças cheias de vida, seu hobby era ser ilha, objeto de fascínio, de conquista,
beleza cultuada por artistas em quadros impressionistas, era tudo sonho em vida, mundo colorido.

Deixa ir, há rocha nos ombros, pesares no olhar, amor a definhar-se,
uma voz rouca que grita, esperneia, sequer ouvida, logo silencia-se,
lágrimas inundam a face, estás o pó, o resto, nenhuma força na fadiga,
um cadáver rastejante, a saborear devagar os seus piores dias.

Deus, crias-te tudo, um universo completo,
propagador da misericórdia, decerto,
da natureza, a humana lhe falhou,
perdoou até quem lhe apedrejou.

E este homem surgiu ao mundo, trepidando, em nome do amor, do garçom e da costureira,
nem chorou, nem respirou, a vida prematuramente lhe ensinou, que lutar era o caminho, caminhou,
tinha tudo quando não era quase nada, persistente, inocente, meio delinquente, brincou, brigou, beijou,
voou sem capa e os ossos concretou, andou sobre rodas e os dentes asfaltou, experiência não lhe faltou.

Crise nova, o infindável mergulho no abismo, mente enterrada pelas circunstâncias da vida, pisoteada pelos fracassos,
ocorrências, há tanto tempo, de vez em quando, quase sempre, não se vai tão cedo, fique mais um pouquinho, desiquilíbrio,
à custa de nada, estrague só mais este dia, quem é feito de conflitos internos, de colapsos viverás, basta não viver, e verás,
um dia qualquer, um domingo de sol, lá estará, a perturbação a lhe sorrir, enquanto afundas na incerteza, profunda contenda.

Geração afobada para chegar em lugar nenhum, aprecia o fajuto, a frase curta, autoajuda,
adoram as leituras aceleradas, vocabulário raso, pensamentos infantilizados ou até ilusões baratas,
poesias fabricadas, memes virais, algo escreveu, depois nem sabe o que leu, falha interpretativa,
pior, inaptidão, raciocínio congelado, aprendem na impulsão sem desenvolver nada, lástima.

O desbravador de mares, viaja a vida por amor, iça as velas,
atravessa o grande mar sereno, o longínquo céu azul é contemplado,
as boas correntes sempre se encarregam de mostrar-lhe o moroso caminho,
o destino é uma ilha inexplorada para ancorar, descobrir maravilhas.

Beijei a lona, sangue ao chão, músculos fracos, fatigados,
indigno, resto de um lobo ferido, a fixar no chão em cada batida,
a chamar para si os cruzados de esquerda, jab frontal, uppercut final,
abre-se contagem, 33 anos, um dia o gongo soará, surras louváveis até lá.

Mulheres, subestimadas em velhos tempos, heroínas desse milênio,
guerreiras inteiras, lutadoras em guerras das armas e dos sexos,
Malala, Joana d'Arc, Tarsila do Amaral, Anita Garibaldi, tantas outras,
imortalizaram seus ideais, direitos, deveras justo, profundo respeito.

Estou esgotado, das batalhas diárias, do conflito necessário,
pondero parar, sentir o gosto amargo do fracasso em tentar,
sem que o mundo desabe de um andaime na consciência, tsunami infâme,
arrasta tudo, até minha coragem, pode vir, em frente vou continuar.

Enquanto este mundo implode, deita-se em colo, minha gata rajadinha, pensamentos ronronam, sonhos felídeos,
neste, sinto-me selvagem, a invadir terrenos inexplorados, como gata desgarrada, amando toda liberdade,
pulos, afasto-me do lar, saltando em quatro patas delicadas, contemplo estrelas, em cada uma, meus segredos,
repentinamente, pelos curtos arrepiam-se, há um gato invadindo meu espaço, constelação felina.

A felicidade é singular,
na sua essência habitará,
morada fará, todos poderão notar,
deixe a luz brilhar.

Os raios de sol beijam os pés, inundados na transparência líquida,
nossas mãos pregadas balanceiam vagarosamente, conexão da alma,
olhares perdem-se em tanta beleza, especialmente sua, tão minha,
areia dura, represa límpida, troncos tortuosos, repleta natureza.

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