Não Posso

Não posso ficar aqui a amar-te, apesar de ti, ser meu lugar, nunca tive chance de fazer lar,
és como flutuar sem ter pouso, viver sob asas dos sonhos, sem o descanso merecido na paz do amor,
queimamos todo o carvão num dia, inundamos em outro, esperando que o sol apareça e renasça o fogo,
a combustão dessa paixão que nos consome, reinicia o processo sempre na outra manhã, onde não estamos.

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São Marcos

Santo em nome, bíblico em atuações, abençoado entre dois postes laterais, canonizado por sua torcida,
oriundo da miúda Oriente, nascia em agosto de 1973, no berço da segunda academia, uma grande alma palestrina,
jamais haverá outro futebolista, tão sincero, humilde e amado por seus devotos, todos devedores dos milagres recebidos,
perdoe a quem não tem direito, profanar a ti, as mais absurdas tiranias, como bem sabes, nem todos são justos em divididas.

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Reciclagem

Inerte, os dias vão-se miseravelmente, lentos passos dados, sem coordenação nenhuma, por coisa alguma,
algo, há de se obter desse estado, estagnado, é claro, há momentos que gritam, pare! Reflexione-se, de fato,
cotidiano ambicioso, sem tempo de interromper, horas, minutos que sejam, máquinas mentais, produção, exaustão,
nem por um respiro necessário, obstruímos um maldito dia, a vida cavalgando o fim, aceleramos, maquinistas ceifadores.

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Pedaços de Nós

Pedaço de mim, deixeis, caíste a teus pés, a amável e deleitável parte, entregastes,
aqui jaz, enamorados, egoísmo conjecturar, que meras parcelas de nós, tanto desafogara-nos,
guarde este meu miserável fragmento, nas profundezas do seu ser, alimente os seus demônios, sem prazer,
naufrague em lágrimas, afogue lentamente a nossa imagem, as lembranças desse amor de pouca coragem.

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Preces

Que sejam um pouco mais leves, as dores insuportáveis que extirpam as energias, físicas, mentais, astrais,
o incurável e triste saber, que não há mais tanto a fazer, que as mãos de Deus lhe assegurem, a paz duradoura em vida,
que nenhuma queda constante, seja tão brusca, que possa lhe afundar em poço, exagerar mais essa dor, drenar seu bom espírito,
há de sobrevoar-te acima de ti, o teu anjo de asas, este que nunca foge a luta, nem abandona.

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Acaso e Destino

Acaso, um ziguezague imperceptível de acontecimentos, ambidestros, imutáveis, meros ou complexos casos,
o encontro incontrolável de pessoas, lugares, o exímio tempo exato, como ser alvejado, sem nunca ser alvo,
coisa alguma de destino concreto, nem ocorrência premeditada, puro fenômeno natural, há quem diga, sobrenatural,
surpresas benignas ou malignas, decorrentes do inimaginável, deveras questionáveis, surpreendendo-nos fatalmente, sempre.

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Feita Natureza

Mergulhei no profundo oceano dos teus olhos, extenso breu, deparei-me com um belo par de pérolas negras,
banhadas por brilho, rodeadas pelas areias claras do teu rosto, estas, revestidas por camadas de pequenas sardas,
deslizo por tua face, vagarosamente, tateando pacientemente as linhas quadriculadas, ornamentadas por algas onduladas,
teus fios pretos, que tanto exacerbam a tua morenitude, majestosamente, completam e definem a tua superfície.

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Tu És Meu Lugar

Eu tenho convites, a todo lugar que quiser, lúdico dos encontros, facetas quaisquer,
venha transpassar seus pequenos pés nas trilhas desse parque, ou bebericar nesse restaurante fino,
talvez queira ouvir música ao vivo, ou o som das estrelas, tem até mar de gente no boteco da esquina,
ou só nós no quarto do hotel, tanto faz, percebas que você é o lugar que quero estar.

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Como Pode

Como pode este passarinho cantar, se tem as asas quebradas e o ninho destroçado?!
pareces até que voa mais alto, os piados parecem gritos, afinados, como vozes em uníssono,
lá vai, gravetos no bico, arquiteto das casinhas de palitos, não há trauma, apenas reinício,
a pequena ave de peninhas, debilitado e sem família, segue sobrevivendo a pedras e tiros.

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Se eu lhe disser adeus

Se um dia eu lhe disser adeus, do que lembrarias? Daquela pedra dura que viraste leito no litoral paulista?
Dos toques e sensações únicas que lhe fizeste? Ou dos dias quase intermináveis, numa cabana simples no meio do mato?
talvez queiras esquecer-me, como um cometa que passaste dentro de tua poeira cósmica, tirarias o peso das costas,
chorarias por alguns dias, imaginando o que seríamos, é fácil cair, quando não és tu, quem soltarias a corda.

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